Quem pode usar turbante?

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Não quero dizer que o racismo não existe: sim, o racismo existe na sociedade brasileira. Sim, eu tenho de reconhecer meus privilégios: eu tenho menos chance de ser parada pela polícia que uma mulher negra; eu tenho mais chance de passar numa entrevista de emprego que uma mulher negra; eu tenho proximidade com a minha cultura e com a minha língua (sou descedente de portugueses e galegos). Sim, eu tenho que reconhecer os meus privilégios como uma pessoa branca, descendente de portugueses, no Brasil. Sim, eu quero que isso acabe: eu quero que as pessoas sejam corretamente julgadas pelo o que elas fizeram, não pela a cor da sua pele, ou pelo seu status social: que todos tenham o direito de falar a língua que lhe seja étnica, que tenham o direito de aprender sobre as suas culturas. Também defendo o intercâmbio cultural, a troca entre culturas, e o aprendizado e respeito mútuo.

Sim, eu entendo que o turbante é atualmente visto pelo movimento negro como um símbolo da luta de pessoas negras já que muitas escravas o usavam durante a época da escravidão para se proteger do sol. Sim, eu acho lindo quando eu vejo uma negra usando um turbante. Mas também não vejo nenhum problema de uma branca, japonesa, chinesa, árabe, o que seja começar a usar turbante ou qualquer outro ítem que seja adotado como símbolo pelo movimento negro.

Claro que aquilo para a pessoa negra brasileira tem um significado: representação da luta racial. Mas para uma pessoa Sikh, o significado é outro: é um símbolo de adoração, usado por homens (E não por mulheres), assim como é o hijab pelas mulheres árabes.

INDIA-RELIGION-SIKH

O post começou com a imagem de uma suástica não para ilustrar o racismo, mas para ilustrar que a mesma coisa pode significar diferentes coisas em diferentes épocas para diferentes pessoas: Na África, assim como na Ásia, o turbante é (era) um símbolo religioso. No Brasil, o turbante passou a ser usado por escravas marjoritariamente para se proteger do sol. Hoje pessoas que não tem nenhuma ligação com religião que usa turbante , usa isso como forma de simbolizar a luta racial. No caso da menina do metrô, ela não estava usando o turbante para mostrar que ela era religiosa ou que lutava pela causa negra: ela estava usando como ferramenta para se sentir com uma auto-estima maior. Que o turbante agora seja um símbolo de pessoas (com câncer) que lutam para se sentir com uma melhor auto-estima: por que não?

Em todos os casos citados acima, não há nenhum problema: é o mesmo símbolo com significados diferentes. O problema de apropriação cultural seria se por exemplo, se uma rede gigante como a C&A ou Riachuelo lançasse uma coleção “turbante” e colocasse manequins de turbante em frente a suas milhares de lojas: aí as pessoas negras que usam isso como um símbolo de luta, ou os religiosos que usam isso como um símbolo religioso seriam vistos apenas como pessoas que adotaram uma modinha da C&A promovida pela Revista Capricho e por diversas “blogueirinhas” (assim como é/foi sapato de plataforma, headband,  tenis branco). Esse é o problema da apropriação, e não pessoas (De qualquer cor, com câncer ou sem) usar turbante para promover a sua auto-estima. E isso foi o que aconteceu no caso do Nazismo, eles usaram tanto o símbolo tão vastamente, que hoje em dia ninguém se lembra mais do significado original: boa sorte.

Primeiras impressões sobre diversas cidades

Qual foi a primeira frase que você pensou ao visitar uma cidade nova? Eu me peguei pensando nisso, e resolvi escrever algumas primeiras impressões sobre 5 cidades que conheci (Se gostarem do Post, faço uma parte 2 com mais 5 cidades).

1 – Washington D.C. -EUA

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“Americano gosta mesmo de uma guerra, hein?”

A coisa que mais me impressionou em Washington D.C. foi a quantidade de monumentos sobre guerras que eu vi! Não eram poucos! Em homenagem à Primeira/Segunda Guerra, Guerra Civil, Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã e por aí vai!  Muito louco!

2 – Friburgo na Brisgóvia – Alemanha

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Em Friburgo, Alemanha

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“Estou num conto de fadas?”

Para quem não sabe, Friburgo é uma cidadizinha muito linda no Sul da Alemanha. Ela fica do lado da floresta negra, e fui lá participar duma conferência. A cidade parece ser de conto de fadas, com suas cerejas na floresta, o famoso pão preto das fadas, e tudo mais! Eu amei demais essa cidade!

3 – Paris – França

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Paris

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“Meu Deus, tô aqui! Ahh to morrendo!! :O :O”

Para mim, conhecer Paris sempre foi um sonho de infância!! Quando cheguei lá foi um mix de felicidade (eu não acreditava realmente que eu estava lá, que Paris existia para mim) com tudo! Foi demais! Paris está no meu coração ❤

4 – Brasília – Brasil

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Meu Deus, mas qurle cidade linda… (8) #Brasília

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“Mas o que? A melhor vista da cidade é a da rodoviária?”

Pois é, meus amigos que nunca foram pra Brasília. O lugar onde fiz a foto acima foi na rodoviária de Brasília: um lugar horrível, cheio de trombadinhas, comida horrível de rodoviária, mas é o lugar onde dá para ver toda a esplanada dos ministérios. Vai entender, né?

5 – Londres, Inglaterra

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Parlamento

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“Mas ninguém fala inglês aqui??”

Em Londres você vai escutar todas as línguas na rua: português, húngaro, italiano, japonês, espanhol, russo, eslovaco etc. mas raramente vai ver alguém conversando em inglês no meio da rua, no metrô, etc (pelo menos foi essa a minha impressão)! Claro que você vai ser atendido em inglês, e que você vai achar os serviços em inglês: inglês ainda é a língua oficial. Mas a língua de fato de Londres são muitas! Parece que todo mundo é estrangeiro lá (de turistas a moradores). Londres foi a cidade mais cosmopolita que já visitei!

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E aí pessoal, gostaram do Post? Se sim, posso escolher mais 5 cidades para falar minhas primeiras impressões (visitei tantas, dentre cidades “desejo” visitei São Francisco, Berlim, Roma, Milão, Zurique, Boston, Bogotá, Rio de Janeiro, dentre outras). Você já visitou algumas dessas cidades? Se sim, conta como foi a sua experiência: você teve uma impressão diferente da minha =)

Como a apostila de Haia facilita o processo de dupla-cidadania

Quem está no processo de aquisição de dupla-cidadania (eu estou fazendo, ou talvez já tenha quando você estiver lendo, a portuguesa, mas se aplica para italiana, espanhola, alemã, etc) deve ter reparado em uma nova exigência da embaixada ou consulado: uma tal de apostila (ou apostilha) de Haia. Em vários sites dizem que isso facilita o processo de cidadania, mas como?

Resultado de imagem para dupla cidadania

Foto só para ilustrar o post, não achei nenhuma legal com o passaporte português, então vai o italiano mesmo.

Eu também não entendi quando vi a notícia: caso você esteja perdido nisso de apostilha, o Brasil aderiu em Agosto de 2016 ao tal consenso de Haia, todos os países que fazem parte desse acordo tem o direito de emitir um documento em um modelo pre-especificado atestando que aquele documento é verdadeiro e essa declaração é reconhecida por todos os países que fazem parte do consenso: e atualmente, essas apostilhas só estão sendo feitas em alguns cartórios de capitais, o que faz você ter que viajar se você mora no interior. Em resumo, parece ser só mais um carimbo chato que você tem que pegar que vai fazer você ir atrás de mais uma coisa como se não bastasse todas as certidões que você teve que ir atrás.

Mas na verdade, esse carimbinho ajuda sim e não é só uma mera formalidade: antes, o processo ao entregar o seu documento brasileiro na embaixada/consulado era o seguinte: eles enviavam o documento para Brasília, para ser autenticado pelo Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores ou MRE), como o Itamaraty tinha muita recorrência desse tipo de pedido, o processo costumava ser lento. Eu consegui ter acesso ao site antigo do consulado italiano em São Paulo sobre o tema e eles dizem que as certidões devem:

  • As certidões brasileiras emitidas no Estado de São Paulo deverão ter firma reconhecida pelo MRE-ERESP em São Paulo, Capital.
  • As certidões emitidas em outros Estados brasileiros deverão ter firma reconhecida pelo MRE-DCB-DAC em Brasília.

Então imagina só ter que autenticar seu documento numa repartição pública em Brasília! E não em cartórios! Isso demorava muito mais! Então fiquem felizes com o carimbinho de Haia.

Macbook PRO: vale a pena?

No meu estágio da Mozilla (para saber mais visite outreachy.anaplusplus.com), iria ganhar um notebook, e me deram duas opções: um ThinkPad X1 Carbon da Lenovo ou um Macbook PRO retina da Apple. Apesar do computador da Lenovo ser muito bom, acabei escolhendo o da Apple, porque tinha curiosidade de saber como era o sistema. Levantei o preço dos dois computadores que me ofereceram, nos EUA o Lenovo que falei custa U$D 1.800, enquanto que meu Macbook custa U$D 2.200, então a diferença de dois computadores “equivalentes” é U$D 400. Agora a pergunta que fica é: vale a pena pagar 400 dolares a mais para ter um Macbook? Vou citar pontos do Macbook que podem te ajudar a decidir se vale o investimento.

Meu lindo Macbook PRO

Design e detalhes do hardware

Uma categoria em que Macbook é infinitamente superior a qualquer notebook da terra na minha opinião é o design. Até que se prove o contrário, o Macbook é o notebook mais lindo que já vi! E há detalhes que nem sempre são mostrados no site da Apple que o tornam um computador ainda mais incrível neste sentido: um deles é a fonte para carregar: ela tem um imã que permite que o plugue chegue muito facilmente a entrada de alimentação e que eles não se despluguem facilmente, outro detalhe que pode parecer despercebido, é que a fonte tem dois comprimentos de fio e um lugar para enrolar o seu cabo na hora de guardar! A placa única de alumínio que faz o macbook e a linda maçã que acende são outros detalhes mais conhecidos. A tela de retina também é algo muito bom nesse computador, nunca usei uma melhor.

Acessórios e compatibilidade

Outra coisa que pode ser positiva e negativa para o Macbook são os acessórios. A Apple super capricha em cada um dos acessórios do notebook, o mouse da Apple é lindo e ótimo em todos os sentidos (porém custa 621 reais no Brasil, a sorte que a Mozilla me deu um). Nesse ponto existe um mito que é a Apple é completamente incompatível com qualquer coisa, isso é verdade e é mentira: eu tenho um fone de ouvido da marca plantronics que consigo usar no meu notebook, no entanto não consigo usar meu mouse da Apple em outros computadores: então cheguei a conclusão que no caso do Macbook (não sei de outros produtos como iPad ou iPhone) consigo  usar acessório de outras marcas com o Macbook mas não consigo usar acessórios Apple com outras marcas.

Sistema operacional

Nesse caso, vou comparar Linux + Windows  com o OSX. O OSX foi um SO que me surpreendeu, como ele é baseado em um sistema Unix, a maioria dos comandos que você está acostumado a fazer no seu terminal do Linux funcionará no Mac, no meu uso diário como programadora para open source, não senti falta de nenhum recurso do Linux. No entanto, os atalhos (exemplo ctrl+c) no mac são diferentes, por causa da existência da tecla “command”. O OSX também reúne uma coisa muito boa do Windows: existem programas para o OSX! Se você já usou Linux, sabe como é triste ter que dar adeus a programas de edição de vídeo, imagem, etc. a boa notícia é que existe tudo isso pra OSX, a má notícia é que é mais difícil de encontrar software pirata para OSX, então se você está acostumado a usar seu photoshop piratão no windows, pode se preparar pra ter que pagar uma licensinha bem baratinha (sqn) pro seu MacOS. O universo de jogos com certeza ainda é muito maior no Windows que no OSX, então se você é gamer, fique ligado que apesar do preço, o MacBook não é um gamer pc.

Perfomance: você precisa mesmo de tudo isso?

Uma coisa que é inegável no Macbook Pro é a sua perfomance. O meu computador antigo (um samsung de 1500 reais) quase soltava fumaça para fazer o que eu faço nesse computador. Mas atenção, isso não significa que o Macbook é perfeito, sim, o mac trava as vezes! É claro, que um lenovo de 1800 dolares vai ter uma perfomance similar, mas a questão aqui é: você precisa mesmo de tudo isso? Se você só acessa a internet e usa o pacote office, você não precisa dum Macbook Pro ou dum lenovo thinkpad, você pode partir da para a linha de entrada da Apple (um macbook air por exemplo) até para um computador positivo de 1000 reais (ok, talvez ele quebre mais rápido e dê problema mais rápido, mas no começo vai suprir as suas necessidades).

Aqui vou resumir o que disse e citar alguns prós e contras a mais do Macbook Pro:

Prós:

  • Hardware mais bonito do mercado;
  • Alta perfomance;
  • Sistema operacional baseado em Unix com uma vasta gama de programas;
  • Bateria com boa duração;
  • Compatível com acessórios de outras marcas;

Contras:

  • Mais caro que computadores de perfomance equivalentes de outras marcas;
  • Acessórios do Macbook feitos pela Apple são caros e não compatível com outras marcas;
  • Falta de softwares gratuítos e “piratas”, e de games em comparação ao Windows;
  • Esquenta muito durante o uso;

O que acho da Bel Pesce

Primeiramente, desculpa pelo sumiço, não é que não andei postando, estive postando no meu blog em inglês dedicado ao meu estágio na Mozilla: outreachy.anaplusplus.com

Resolvi comentar isso por causa dos escândalos recentes que envolveram o Zebeleo, que trouxeram a Bel para a mídia denovo e também porque muitas vezes as pessoas fazem uma associação minha com a Bel, dizem “Você deve amá-la” ou algo assim.

Descobri a Bel em 2011 ou 2012, quando ela estava começando a sua carreira de sub-celebridade e eu era uma estudante do ensino médio. Eu me lembro que ao ouvir falar da história dela, uma garota brasileira que tinha estado no Vale do Silício e no MIT (onde sonhava estar e felizmente já estive) e que tinha contado tudo isso num livro “A menina do vale”, me senti super mega inspirada para ler  o livro dela, me senti inspirada a continuar na carreira de informática e me senti representada.

Fiquei ainda mais feliz quando descobri que poderia fazer o download gratuíto do livro dela, sempre pensei que os livros deveriam ser gratuítos e paga quem pode e/ou quem quer ter uma qualidade melhor para o autor. O modelo que “A menina do vale” é distribuído é o modelo que sempre pensei que todos os livros deveriam ser distribuídos, fiz o download duma vez e comecei a ler o livro da tal pessoa: devo confessar que esperava mais. Nem lembro se terminei de ler ou não o livro, mas me lembro que foi uma pequena decepção, esperava ler mais sobre o dia-a-dia no vale do Silício, nos desafios que uma garota tem por lá, dentre outros. Mas o livro da Bel era só o tradicional discurso (muito perigoso por sinal) de “quem quer consegue, todo mundo pode fazer”.

Tudo bem, gostei da figura da Bel, mas não do livro num inicio de conversa, mas tudo bem, vida que segue. Além do livro, outra coisa que me decepcionou foi descobrir que a Bel Pesce não era mais uma menina do vale, que ela tinha voltado para se dedicar a escrever livros e fazer cursos sobre empreendedorismo (eu tinha gostado dela de início pelo fato de ser uma garota que trabalha com informática, se ela não é mais uma garota que trabalha com informática, por que gostaria dela?) mas não desisti ao todo da Bel, afinal ela ainda tinha sido “A menina do vale” e tinha distribuído seu livro da maneira que eu gostei.

Ano passado fui assistir uma de suas palestras do “Tour da Bel”, foi uma palestra legal porque encontrei conhecidos que não via faz tempo e que estavam lá e também porque ouvi historinhas que ela contou da vida dela, mas não achei que foi uma palestra enriquecedora e para mim soou como uma palestra para vender livros e curso. Fiquei com a impressão que a Bel é mais uma dessas figuras que vende o sonho de ficar rico para alguns tolos, e não a menina do vale amante de tecnologia de qual era fã no início.

Eu fiquei um pouco triste quando vi que ela queria abrir uma hamburgueria, um restaurante de carne que não tem nada a ver com tecnologia, não é um app, nem nada. Para piorar, queria dar chaveiros e camisetas para os investidores, no lugar do capital da empresa em ações equivalentes ao investimento. A Bel tecnológica que conheci no início, que imaginava ser uma grande programadora que escrevia linhas e mais linhas de código no vale do silício morreu na minha cabeça, para mim só existe uma Bel sem foco (que não sabe em que ela quer trabalhar, e tem 1 milhão de projetos mas nenhum com grande foco em desenvolver tecnologia de ponta), oportunista e charlatã como descrita no artigo do Izzy Nobre.

Não julgo as pessoas que se sentem inspiradas pelo discurso da Bel a se tornarem pessoas melhores, só digo que esse discurso não me inspira, nem a pessoa que ela se tornou. Eu julgo somente aqueles que apontam o dedo para um pobre e diz “Se quisesse poderia ter estudado no MIT como a Bel Pesce”, se esquecendo que os pais da Bel tinham grana no mínimo para bancá-la num dos melhores colégios particulares, pagar para ela fazer exames de admissão, etc.

Arte nos EUA

Já escutei muitas vezes pessoas falando: quem vai para Europa quer ver arte, etc. quem vai para os Estados Unidos só quer ir a Disney, e fazer compras.

Bem, sobre ir a Europa e só querer ver cultura, estava vendo alguns vídeos de viagem e parece que isso não é verdade: em Londres, muitas pessoas preferem ir ver a Primark (Loja tipo Marisa gourmetizada no BR) do que ver o museu britânico; em Paris preferem ir a EuroDisney do que ao Palácio de Versailles, etc.

Sobre ir aos EUA e só querer ver o Mickey e fazer compras, é fato que a maioria das pessoas vão para isso mesmo (assim como que muitas vão para Europa pela EuroDisney e pela Primark), mas é mentira que os Estados Unidos sejam só isso.

De todas as vezes que fui aos EUA, sempre tive contato com exposições de arte incríveis. A arte de rua lá é incrível, quando estava em Boston, me lembro de ter ido ao Quincy Market e ter escutado as apresentações de Jazz mais incríveis que já escutei (e de graça, e olha que Boston nem é Chicago), esquecemos quando falamos em Disney e em cantoras Pop, que nos EUA surgiram o Jazz, o Blues, vários artistas de Rock, etc.

Sobre museus, os museus mais fantásticos que conheci até agora foram os museus do Instituto Smithsonian, até falo que eles são o topo numa escala de medição de qualidade de museu na minha cabeça =P O Museu do Holocausto que visitei em Washington DC é um dos mais marcantes que visitei até hoje, o de História Natural é incrível!

Para quem gosta de pintura, Nos EUA nasceram diversos movimentos artísticos: a arte abstrata, op-art e pop-art. Além disso, estão surgindo várias correntes artísticas incríveis em que os EUA é um dos principais expoentes, como o ultra-realismo (claro que nos EUA nem se compara a França ou a Itália nesse quesito, mas não significa que não existe pintura).

Quem gosta a 7ª arte, é inegável que de lá surgiram grandes clássicos do cinema, como Casablanca, os filmes de Chaplin, Psicose, O Poderoso Chefão, Bonequinha de Luxo, dentre tantos outros.

Em resumo: os Estados Unidos não são só Disney e compras, é muito mais que isso.

 

 

Minha experiência com coletor menstrual

Para quem não sabe o que é coletor menstrual (ou copinho), é basicamente um copinho feito de silicone cirúrgico que é inserido na vagina para coletar a menstruação (foto abaixo). Um copinho custa cerca de 70 reais, pode ser comprado online e em algumas farmácias (Ouvi falar que a Pague Menos tem), e por não ser descartável, pode ser usado por vários anos. Mais detalhes da parte técnica podem ser vistos aqui, esse post é sobre a minha experiência.

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A primeira vez que ouvi falar de coletores foi há um tempo atrás quando vi uma propaganda da Inciclo (uma marca de coletores brasileira) no Facebook, e apesar de trabalhar com tecnologia eu tenho um pé atrás quando se trata de inovação: se vejo algo novo a primeira coisa que penso é: “hum… Mais um produto que promete salvar o mundo mas não deve funcionar direito” (Acho que talvez seja por trabalhar com tecnologia que penso isso, acompanho tantas ideias revolucionárias falharem no primeiro mês). Com o tempo, várias amigas passaram a usar e a fazer uma certa propaganda, mas tinha preguiça por ter que comprar pela internet, pensei: “Quando tiver em farmácias/supermecados compro”, só que quando estive nos EUA vi em farmácias só que era muito caro (entre USD 30 e USD 40, e na época 1 dollar era mais ou menos R$4,2), então ao voltar e ver um post no Facebook sobre o tema resolvi comprar pela internet mesmo.

Eu resolvi comprar pelo site “Vai de Copinho“, resolvi comprar da marca alemã “MeLuna” só por ter várias opções de cor (frescura) e por ser um dos mais baratos da loja (60 reais na época, contra 80 do brasileiro Inciclo, na Europa ele custa cerca de 15€). A minha experiência de compra na loja foi boa (compraria denovo), veio dentro do prazo e com um sachê de lubrificante extra para ajudar a colocar (eu não precisei), além de cartinha e instrução de uso.

Quando o coletor chegou em casa, o meu primeiro desafio foi como higienizar (recomenda-se higienizar o coletor antes e depois do ciclo). Existem várias opções de como higienizar, ferver em uma panela de ágata é a mais usada (não se pode ferver em panela de alumínio por causa de algumas substâncias que o alumínio solta), mas essa panela custa 40 reais e poderia tocar fogo no meu coletor. Acabei escolhendo usar pastilhas higienizadoras, no site da Meluna alemã tem pra vender algumas, mas escolhi comprar as “Corega Tabs” que são vendidas em qualquer farmácia no Brasil (são usados para higienizar dentaduras) e usar.

Quando meu ciclo finalmente estava para chegar, eu resolvi colocar, para colocar temos que dobrar o coletor de alguma forma. As dobras que funcionaram comigo foram a 7 e a punch down, a C achei muito volumosa e as outras (do link acima) muito complicadas de fazer. Diferente do que achava, comigo o coletor não abriu assim que inseri, ele demorou um pouquinho e algumas vezes tive que dar uma mexidinha para abrir. Apesar de não ter tido grandes problemas, eu achei o coletor bem mais difícil de colocar que um absorvente interno.

Sobre incomodar ou vazar, o coletor incomoda muito menos que um absorvente interno. O absorvente interno é ok de usar no início, mas quando vai dando perto das quatro horas máximas, ele vai ficando pesado e impossível de não ser notado, o coletor não incomoda em nenhum momento. Sobre vazamento, só aconteceu comigo uma vez, porque a criatura retardada aqui inseriu o coletor da maneira errada (imagem abaixo)! Mas logo vi que tava vazando e coloquei do jeito certo de novo, não é bom empurrar muito (para tentar ficar como um OB) porque tem mais chance dele ir para o jeito errado, é melhor deixar na bordinha mesmo. Mas ele aguenta 8, 10 horas de uso de boas sem vazar (coisa que é impossível para um absorvente).

Em resumo, as vantagens do coletor em relação ao absorvente são: 1) Ecologicamente correto (não me importo muito com isso, mas…) 2) Dura mais tempo sem vazar (muito importante para mim) 3) incomoda menos 4) dá para nadar com ele. A do absorvente é 1) mais fácil de colocar 2) não precisa se preocupar com higienização. Não falei de preço, porque apesar de se formos pensar que uma caixa de OB suficiente para um mês custa 8 reais, e um coletor 80 com frete, mas que podemos usar o coletor por anos, não sei de fato se isso é verdade, não sei se ele dura tanto tempo assim, e além disso temos custos adicionais como de material para higienização no coletor. Em algum tempo talvez edite e escreva se ele dura de fato, anos.

Meu engatinhamento no Open Source

Hoje vi no Facebook o meu primeiro contato com a comunidade Open Source foi há 4 anos atrás! Eu participei no FLISOL (Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre) que é um evento super introdutório da área e que acontece em diversas cidades. Eu me lembro que no evento me senti super importante porque ganhei um caderninho da Nókia  haha  e fiquei admirada com meu instrutor porque ele tinha ganho vários celulares de última geração da empresa para desenvolver softwares para ela, e fiquei pensando: um dia serei assim haha (mas achava que isso era super distante da minha realidade, hoje em dia minha realidade é mais ou menos essa).

No tal evento

Naquele tempo ainda achava que Software Livre era algo inacessível para mim, achava que não conseguiria usar Software Livre (já tinha tentando usar o Linux algum tempo antes) que dirá desenvolver um dia! Mas nessa época mais ou menos, pasei a mudar: naquele ano instalei o Linux no meu computador, e passei a usá-lo como sistema operacional principal. Eu sofria um pouco toda vez que digitava ctrl+alt+del e outras noobisses, mas pouco a pouco fui aprendendo a lidar com o sistema: e isso foi ótimo, porque também fui ficando mais curiosa para pesquisar como fazer coisas mais avançadas no computador. Hoje em dia sou quase que fluente na linguagem do terminal do Linux, e as vezes sinto orgulho de mim mesma quando me vejo digitando feito louca naquele terminalzinho haha =P

Minha história de usuária para desenvolvedora começou a mudar quando entrei na Universidade em 2014 e fui trabalhar no Laboratório de Sistemas Distrubuídos (LSD, laboratório com nome mais legal de todos, ah e lá as salas tem nome de cachaça também =P). Lá tive a sorte de entrar num projeto muito legal, com uma equipe muito legal também, e logo na minha primeira semana encontrei uma barreira no desenvolvimento do projeto que fui designada: uma biblioteca Java que teria que utilizar não tinha um comando que eu precisava, eu queria fazer uma gambiarra ou algo do tipo mas meu chefe me mandou implementar esse comando. Quando ele mandou fazer isso, confesso que fiquei super assustada, afinal contribuir para uma API Java feita nas gringas deveria ser super difícil de lidar! Mas descobri que contribuir para Open Source não é bicho de 7 cabeças, é mais fácil do que parece (depois posso fazer um guia ensinando por onde começar), e eu consegui! Consegui fazer um pedaço de código que poderia ser usado por qualquer desenvolvedor em qualquer lugar do mundo.

 

Laboratório com a melhor placa do mundo hahaha

No final do ano passado, acabei deixando o Laboratório mas não deixei a cultura que ele me deixou: eu continuei sendo ativa na comunidade Open Source e colaborei com alguns projetos, escrevi algumas linhas de código, corrigi alguns bugs, etc. Graças a isso, estou indo para Londres agora em junho e  fui chamada para participar de estágios incríveis, eu estou super feliz por ter essa oportunidade! Quem diria? Uma moça do interior da Paraíba, estaria indo tão longe por causa de Open Source?

Viajar no Inverno é horrível

Já tive a oportunidade de ir para  o exterior em todas as estações do ano: Verão (EUA, e em breve Europa), Primavera (Colômbia, ok, nem tão primavera assim e daqui a pouco Europa), Outono (Europa) e agora Inverno (EUA), e eu não sei qual é a melhor estação do ano para se viajar, mas com certeza sei qual é a pior: o inverno.

Quando eu comecei a pensar em viajar para o exterior (e antes de viajar de fato), achava que com certeza o Inverno seria a melhor estação, porque qual era a graça de ir para os EUA ou pras Europa sem ver neve? Ver neve é uma das principais coisas da viagem… E de fato, ver neve era um sonho para mim, mas acabou se tornando um pesadelo!

Caminhando na neve: oh sofrimento

Talvez porque a região dos EUA que eu fui (Massachusetts) fosse extremamente fria, podendo chegar a temperaturas de -30ºC (o mínimo que peguei na viagem foi -18ºC, e raramente a temperatura chegava a -2ºC, normalmente ficava em -7ºC), então se você for para uma região que tenha um inverno mais brando (Ex.: Itália, Espanha, Flórida, etc.) talvez você não sinta o que senti.

Bem, a primeira coisa que deixa a viagem horrível é o frio extremo, mas não é aquele friozinho que a gente pode pegar num inverno em São Paulo ou  em qualquer região do Brasil, é um frio indiscritível. Já aconteceu de eu está caminhando e não está aguentando o frio, e ter que parar em algum lugar para me esquentar, comprar peças de roupas extras e/ou tomar alguma bebida quente. Era quase impossível caminhar por mais de 10 min sem ficar congelando, então esqueça os longos tours a pé que você faria para conhecer a cidade se estivesse no verão, quando fiz um tour em Harvard (por exemplo), no lugar de admirar a universidade, queria que a guia parasse de falar logo para eu ir para um local quente.

Rio congelado em Boston – MA

Depois tem o ar super seco. Sem brincadeira nenhuma, nunca me senti mal em regiões super secas do Brasil (como Brasília ou Cuiabá), mas quando cheguei nos EUA neste inverno, meu nariz sangrou que não era brincadeira com o ar seco… Outro problema ocasionado por isso são uns choques bizarros que se toma ao encostar qualquer coisa (pessoas, maçanetas, o sofá), etc. devido a energia estática acumulada. Sem contar na pele e no cabelo, que desidratam que é uma beleza, eu nunca vi meu cabelo mais sem volume e sem graça.

Outro problema é a mudança de temperatura, dentro dos locais é super quente, fora é super frio. Então em qualquer canto que você entre é aquele tira e coloca de casaco, e quando o lugar tem um canto para guardar as suas coisas, bom, quando não… Aí é carregar um casaco super pesado o caminho inteiro.

Depois tem o fato de ter pouquíssimas horas de sol todos os dias. Nos EUA no verão, o sol nasce as 7 da manhã e se põe as 9 da noite, no inverno, nasce umas 9 da manhã e se põe as 4 ou 5 da tarde. Então dá 6 horas da tarde e tá aquele breu enorme, como se fosse umas 2 da madrugada, o que faz com que muitas atrações turísticas fechem mais cedo (muitos museus tem horários de verão e de inverno).

Outro problema é a própria neve, ok a neve é linda, mas é horrível! Quando passei por uma nevasca em Boston tudo fechou, foi super complicado voltar pra casa, porque o metrô ficou fechado por um tempo, tivemos que pegar um busão especial… Além do que a neve é escorregadia, então altas chances de levar tombos (E cair na neve não é legal e fofinho como parece, sua bunda depois fica parecendo carne de frigobar por causa da textura e temperatura que ela fica depois). Além disso, praticar skying nem é tão legal como se parece, você cai mais do que qualquer outra coisa (e aí sua bunda se transforma mais ainda em carne de frigobar).

Skiando ou Transformando minha bunda em carne de frigobar (PS: não sou tão gorda assim, são as roupas)

E aí? Já viajaram no inverno? Concordam comigo?